Ao CNN Sinais Vitais, Ludhmila Hajjar, cardiologista e professora titular de Emergências da FMUSP, e Alexandre Abizaid, cardiologista e professor titular de Cardiologia da FMUSP, alertam ao Dr. Kalil, que sintomas inespecíficos, como mal-estar indefinido, dores nas costas, enjoo e suor frio, são frequentemente ignorados ou confundidos com outras condições, o que pode levar a consequências graves.
Os sinais de um infarto nem sempre se manifestam da forma clássica, e essa realidade pode ser especialmente perigosa para o público feminino. Durante a conversa, os especialistas esclareceram dúvidas sobre os sintomas do infarto e desmistificaram a ideia de que mulheres estão menos sujeitas a essa condição.
A armadilha da dor que vai e vem
Um dos alertas mais importantes feitos por Roberto Kalil diz respeito à natureza intermitente da dor que pode preceder um infarto. “A dor da insuficiência coronária, da obstrução na artéria, ela pode vir e passar”, explicou.
Segundo ele, a pessoa pode sentir um aperto no peito, tomar água, a dor passar e concluir que não era nada — quando, na verdade, o infarto pode ocorrer horas ou dias depois. “Essa é uma coisa muito traiçoeira”, destacou.
Ludhmila Hajjar complementou o raciocínio, destacando que o paciente pode experimentar um mal-estar inespecífico, difícil de descrever, mas claramente diferente da rotina habitual. “Saiu da rotina, tem algo estranho, que vai e vem, que não passa: procure um serviço de emergência”, orientou.
Mulheres infartam — e com sintomas ainda mais enganosos
Alexandre Abizaid destacou que existe um mito, perpetuado há décadas, de que mulheres infartam menos do que homens. Na realidade, segundo ele, as mulheres podem desenvolver o infarto um pouco mais tarde, possivelmente devido à proteção oferecida por hormônios femininos por um período mais prolongado.
No entanto, isso não as isenta do risco.
O especialista ressaltou que, nas mulheres, os sintomas tendem a ser ainda mais inespecíficos do que nos homens. “São sintomas que a gente chama de inespecíficos: esse mal-estar repentino, dores em outros locais, a dor nas costas, às vezes só na mandíbula, às vezes acompanhada de uma sudorese, de um enjoo”, enumerou.
Ele alertou que esses sinais não podem ser ignorados, e que um simples eletrocardiograma realizado em uma UPA é capaz de esclarecer o quadro e evitar desfechos graves.
Preconceito pode custar vidas
Ludhmila Hajjar reforçou que o infarto em mulheres está associado a uma mortalidade bastante elevada. Ela também apontou para um preconceito ainda presente, pelo qual os sintomas femininos são minimizados ou tratados como exagero.
“Caiu o mito de que a dor da mulher não é nada, é ansiedade. Não: mulher infarta e dor no peito na mulher também é sinal de alerta”, afirmou.
Alexandre Abizaid reiterou a importância de não negligenciar esses sinais.
“Não podemos ignorar”, disse, reforçando que buscar atendimento médico diante de qualquer sintoma suspeito é a atitude correta e pode ser decisiva para salvar uma vida.