Marco Aurélio: Gonet cometeu ato falho ao pedir nulidade de relatório da PF

Para o ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, errou ao pedir pela nulidade do relatório da PF (Polícia Federal) com as investigações do órgão sobre uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Em entrevista à Itatiaia, o ex-magistrado reagiu à decisão de Gonet após André Mendonça, um dos onze ministros do colegiado, derrubar o sigilo das trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro. O relatório da polícia foi feito a pedido de Mendonça e o próprio Gonet também é mencionado no material.

“Paulo Gonet cometeu um ato falho. Acabou atuando em causa própria e preconizando, numa fase embrionária, que é a fase do relatório e nem inquérito existe ainda, preconizando a declaração de nulidade do relatório da Polícia Federal. Um passo demasiadamente largo que não podia ser dado”, afirmou.

O relatório desencadeou uma crise sem precedentes no STF, que culminou em uma sessão na terça-feira (15), em que os ministros avaliaram se Moraes deveria ser investigado pelo suposto relacionamento. O caso, no entanto, está suspenso devido ao pedido de vista — mais tempo para analisar — de Flávio Dino.

O ministro aposentado ainda definiu que o pedido de vista seria um “suicídio institucional” da Corte e que deixaria a sociedade esperando por uma resposta.

De acordo com Mello, o STF é o órgão responsável pelo restabelecimento da paz social, agravada pelo conflito de interesses.

“A missão de julgar é uma missão sublime de atuar como um estado julgador de forma coercitiva, substituindo a vontade das partes que não chegaram a um entendimento. As partes não sentaram à mesa, mas na mesa, e não negociaram, não transigiram”, encerrou.

FONTE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *