A Estapar, rede de estacionamentos, registrou receita líquida de R$ 524 milhões no segundo trimestre de 2026, o maior nível trimestral da história da companhia.
Considerando o semestre completo, o resultado ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão, refletindo uma trajetória de crescimento consistente que se repete trimestre após trimestre há cerca de dois a três anos.
Durante entrevista ao programa “Números Falam” Daniel Soraggi, CFO da operadora, disse que o desempenho é fruto de uma combinação de fatores. “É uma combinação de crescimento da base, não perder contratos, renovar e novos negócios”, explicou.
Mais da metade do crescimento registrado no período é atribuído à base existente, resultado de maior volume de veículos e aumento do ticket médio, impulsionado por ajustes de tabela, novos produtos e receitas digitais.
O restante vem da abertura de novas unidades: mais de 100 garagens foram inauguradas no ano anterior, e a projeção para o ano corrente é de 80 a 90 novas operações.
O EBITDA ajustado da companhia chegou a R$ 105 milhões no segundo trimestre, alta de 18,3%, com margem passando de 19,2% para 20%. Em uma janela mais ampla, entre 2022 e o período atual, a margem saltou de 14,2% para 20%, representando ganho de seis pontos percentuais.
Soraggi afirmou que o patamar de 20% é uma consequência das decisões de investimento adotadas pela empresa, especialmente a migração para o modelo asset light, com menor alocação de capital. “Tem espaço para crescer, mas ele deve ficar nesse patamar”, pontuou.
Para o CFO, o indicador mais relevante para avaliar a qualidade das decisões de investimento é o EBIT, que considera depreciação e amortização. “A margem EBIT nos últimos anos saiu da casa de 7% e agora está na casa de 10,5%, 11%. “E essa, sim, é piso. Essa tende a crescer”, afirmou.
A redução das despesas administrativas também foi destacada: a empresa saiu de um patamar de 9% e agora opera próximo a 7%, com perspectiva de nova queda. O objetivo declarado é dobrar o tamanho da companhia sem dobrar os custos.
Retomada dos investimentos
Os investimentos da operadora de estacionamentos totalizaram R$ 62,6 milhões no segundo trimestre, com R$ 34 milhões destinados a contratos de longo prazo, valor expressivamente superior aos R$ 6,6 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
A retomada reflete o saneamento do balanço: a relação dívida líquida sobre EBITDA, que chegou a cinco vezes em momentos anteriores, está em 2,4 vezes e deve encerrar o ano em torno de duas vezes.
“A gente vem mostrando esse crescimento da empresa com a redução da dívida líquida”, afirmou Soraggi, acrescentando que a empresa possui dívida de aproximadamente R$ 788 milhões e EBIT de cerca de R$ 100 milhões.
Com o balanço mais saudável, a companhia passou de um portfólio predominantemente capital intensivo, antes na proporção de 60% a 40%, para uma estrutura invertida, com mais de 60% em operações asset light, patamar considerado adequado para o horizonte de curto e médio prazo.
Tecnologia como alavanca de expansão
A Estapar utiliza inteligência artificial em processos operacionais do dia a dia, incluindo back-office e prestação de contas, o que viabiliza a abertura de aproximadamente dois novos estacionamentos por semana.
No segmento de concessões públicas, conhecido internamente como negócio on-street, a empresa desenvolveu um robô que monitora e lê editais automaticamente, extraindo os pontos principais para subsidiar as propostas comerciais. “A inteligência artificial vem ajudando a gente a crescer em novos negócios”, destacou Soraggi. O Brasil conta com cerca de 5 mil municípios, dos quais aproximadamente 300 foram mapeados como potenciais para a implementação de zonas azuis.
Números Falam
O programa Números Falam é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Márcio Kroehn. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money.