Reforma tributária deve levar empresas a mudarem centros de distribuição

A reforma tributária deve mexer no mapa dos centros de distribuição, levando as empresas a mudarem a localização de seus CDs, segundo apontou uma pesquisa do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain).

De acordo com o instituto, uma em cada cinco grandes empresas brasileiras planeja mudar a localização de seus centros de distribuição entre estados, principalmente por causa da reforma.

A pesquisa foi realizada no primeiro semestre deste ano, e contou com mais de 100 das maiores empresas industriais e varejistas do país em faturamento.

Para Rodrigo Tourinho, sócio-executivo do Ilos, antes da Reforma Tributária, a arquitetura fiscal e os incentivos estaduais tinham grande influência na localização dos armazéns das empresas, mas agora, com as mudanças na tributação, “a prioridade será a redução de custos logísticos e a proximidade do consumidor”.

O dado aponta uma lacuna relevante de maturidade no planejamento das adaptações necessárias em redes logísticas, localização de centros de distribuição, compras, estoques, transportes, armazenagem e importações”, afirmou o instituto.

Dentre os resultados, além dos 21% que pretendem mudar os centros principalmente em razão da reforma, 13% afirmam que farão alterações por decisões internas. Outros 49% não preveem mudanças e 17% ainda não avaliaram a possibilidade.

O levantamento aponta, ainda, uma tendência de aumento das operações logísticas no estado de São Paulo.

Conforme o ILOS, a substituição gradual do ICMS pelo IBS, que será cobrado no destino, reduz o peso dos benefícios fiscais estaduais na escolha da localização dos centros de distribuição. Com isso, fatores como proximidade do mercado consumidor, eficiência da malha e custos logísticos ganham relevância.

A pesquisa também indica baixo nível de preparação para a transição: apenas 13% das empresas afirmam já ter mapeado integralmente as adaptações necessárias em suas cadeias logísticas até 2033, quando o novo sistema tributário estará plenamente implementado.

Em relação aos custos, algumas empresas enxergam a reforma como oportunidade para redução de custos, enquanto outras estão mais pessimistas.

Entretanto, em todos os seis componentes avaliados, a parcela de empresas que projeta alta de custos supera a que projeta redução.

No setor de transportes, 37% esperam aumento e 30%, redução, a menor diferença entre os itens. Já em mão de obra de armazenagem, 36% preveem aumento e 8%, redução.

O instituto avalia que essa combinação, do custo pressionado e rede logística ainda desenhada sob a lógica fiscal antiga, que tornarão as decisões de localização dos próximos anos determinantes para a competitividade das companhias.

Percepção da reforma

A percepção sobre os efeitos da reforma é dividida. Para 45% das empresas, o impacto sobre a cadeia de suprimentos será positivo ou muito positivo, enquanto 38% esperam efeito negativo ou muito negativo.

O gráfico da pesquisa indica ainda que 67% acreditam que a reforma deixará a operação logística mais otimizada, ante 25% que não esperam esse resultado.

Ainda segundo o levantamento, também há incerteza sobre parte dos efeitos da reforma: 31% das empresas ainda não avaliaram o impacto sobre os custos de importação e 24% não analisaram os efeitos sobre a compra de insumos.

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