Iemenitas fogem enquanto guerra se espalha pelo Oriente Médio, diz agência

Iemenitas estão usando barcos para fugir dos combates entre combatentes Houthis apoiados pelo Irã e forças apoiadas pela Arábia Saudita, enquanto a expansão da guerra no Oriente Médio cria novas ameaças ao fornecimento global de petróleo.

“O mar estava agitado. As crianças estavam ficando enjoadas; ninguém… está acostumado com o mar”, disse Ahmad Hassan, de 70 anos, que chegou à África em um barco lotado e concedeu entrevista à OIM (Organização Internacional para as Migrações).

Ele havia fugido de sua aldeia depois que combatentes Houthis chegaram ao local e a região passou a ser alvo de ataques aéreos.

“Quanto mais ficávamos, pior as coisas ficavam. As lojas fecharam e não havia mais comida para comprar”, relatou.

A OIM afirma que mais de 100 mil iemenitas foram deslocados pelos combates recentes, a maioria dentro do próprio Iêmen.

A televisão controlada pelos Houthis informou sobre novos ataques aéreos sauditas nesta quinta-feira (17) na província de Hajjah, perto da fronteira com a Arábia Saudita e da costa do Mar Vermelho, além de áreas próximas a Taiz, mais ao sul e no interior do país.

Os Houthis, que desde a semana passada tomaram toda a costa do Mar Vermelho do Iêmen em um avanço relâmpago, afirmam que a Força Aérea Saudita realizou centenas de ataques nos últimos dias. O grupo, por sua vez, lançou mísseis e drones contra alvos do outro lado da fronteira.

Na quarta-feira (16), os Houthis afirmaram ter abatido um caça F-15 saudita. Um vídeo divulgado pelo grupo durante a madrugada mostra combatentes gritando “Allahu Akbar” em meio aos destroços carbonizados do local da queda e segurando uma parte da asa de uma aeronave militar com a insígnia da Arábia Saudita.

Trump espera fim da guerra em breve

A expansão da guerra no Oriente Médio para o Iêmen e a Arábia Saudita ameaça agravar a escassez global de energia provocada desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em fevereiro.

Os preços do petróleo bruto ficaram entre US$ 100 e US$ 110 por barril nesta semana, os níveis mais altos desde maio. O custo dos combustíveis para consumidores e para a indústria subiu ainda mais. O preço médio do diesel nos Estados Unidos atingiu um novo recorde histórico nesta quinta-feira, pouco abaixo de US$ 6,40 por galão.

O presidente dos EUA, Donald Trump, até o momento rejeitou pedidos da Arábia Saudita por apoio militar no combate aos Houthis, que firmaram um cessar-fogo com os Estados Unidos no ano passado, após Washington bombardear o grupo por dois meses.

“Bem, espero que estejamos chegando ao fim da guerra”, disse Trump a repórteres na quarta-feira. Segundo ele, os iranianos “querem fazer um acordo. Vamos ver como isso vai funcionar”.

Não houve novas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra desde que um acordo provisório firmado em junho fracassou semanas depois.

A Marinha dos EUA tenta orientar navios pelo Estreito de Ormuz, passagem para o Golfo ao longo da costa iraniana por onde transitava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo antes da guerra. Os EUA também impõem um bloqueio aos portos iranianos.

O Irã afirma que o estreito está fechado e permanecerá assim até que Washington suspenda o bloqueio. Teerã busca um acordo com os países vizinhos do Golfo que permita ao país cobrar taxas de navios que atravessem o estreito.

A guerra no Iêmen e os ataques contra a Arábia Saudita colocaram em risco a principal rota alternativa para o transporte de petróleo do Golfo. Os Houthis capturaram a costa do Mar Vermelho e ilhas dentro do estreito de Bab el-Mandeb, ou “Portão das Lágrimas”, na entrada do Mar Vermelho.

O Oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, que permitia transportar petróleo através da Península Arábica para embarque no Mar Vermelho, está fechado desde que foi atingido na semana passada em um ataque que Riad atribuiu ao Iraque, onde também atuam milícias apoiadas pelo Irã.

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