O prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, criticou a estratégia adotada pela campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em vídeos publicados nas redes sociais na terça-feira (15), o petista afirmou que a campanha deveria priorizar temas ligados ao cotidiano da população e divulgar as ações do atual governo. Quaquá também reclamou da falta de interlocução entre a coordenação nacional e integrantes da campanha no Rio de Janeiro.
Ao fazer a crítica, Quaquá comparou a comunicação de Lula à adotada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário do petista na disputa presidencial. Segundo ele, enquanto Flávio aborda questões do dia a dia, como preços em supermercados, Lula tem dedicado espaço a assuntos como a exploração de terras raras.
“O Flávio Bolsonaro vai para a televisão, para dentro de um supermercado, falar da vida real, concreta, que, aliás, era muito pior no governo do pai dele, hoje está muito melhor com o Lula. […] Ele vai lá fazer fake news dentro do supermercado, mas falar de vida real, falar de coisas do dia a dia. E nós falando de terras raras. Sinceramente, cara, a gente tem que aprender”, declarou Quaquá.
O dirigente petista defendeu que a campanha concentre sua comunicação nas entregas do governo e em assuntos que, na avaliação dele, estejam mais próximos das preocupações dos eleitores.
“Tem que falar da vida do povo e sair dessa ideologia boba, fora da vida das pessoas”, disse.
Quaquá também destacou que enfrenta dificuldades para levar à coordenação nacional informações levantadas pela campanha no Rio. O prefeito disse realizar pesquisas quantitativas e qualitativas no estado, mas reclamou da ausência de interlocutores para discutir os resultados.
“Está difícil de diálogo, porque não tem coordenação, não tem gente para dialogar, a gente não consegue discutir política. Aqui no Rio mesmo, eu estou fazendo pesquisa quanti e quali direto e eu não tenho com quem falar, entendeu? Porque não tem coordenação”, desabafou.
Em outro vídeo, Quaquá criticou o ato de campanha de Lula previsto para 23 de setembro, na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio.
O evento deve reunir artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso e Maria Bethânia, que já manifestaram apoio ao petista. Para o prefeito, a iniciativa tende a alcançar um público que já apoia o presidente.
“É pregar para convertido. É falar para quem já praticamente vota na gente, para o nosso universo”, avaliou.
Quaquá disse ainda que, apesar de ter sido escolhido como um dos coordenadores da campanha de Lula no Rio, não mantém interlocução regular com a coordenação nacional.
“Estou aqui no Rio de Janeiro disposto a ajudar a campanha. Fui, entre aspas, posto coordenador da campanha, mas não há coordenação, qualquer relação com a coordenação nacional. Nós não somos ouvidos para nada”, reclamou.