XI Jinping promete criar IA com código aberto para os países do Brics

O presidente da China, Xi Jinping, prometeu criar um sistema de inteligência artificial com código aberto para o uso e desenvolvimento conjunto de todos os países do Brics.

A promessa foi feita no segundo e último dia da cúpula do bloco, que acabou neste domingo (13) em Nova Délhi, na Índia. Além dos integrantes plenos do grupo, também participaram das discussões os países parceiros, como Cuba, Malásia e Tailândia.

Xi Jinping afirmou que a China vai “criar uma comunidade de IA de código aberto do Brics, apoiará a cooperação no desenvolvimento e na aplicação de grandes modelos de linguagem, realizará seminários especializados e cursos de treinamento em IA e construirá um ecossistema aberto para a IA” para ajudar no desenvolvimento de todos os países do grupo, inclusive os parceiros.

No momento, a China participa de uma disputa com os Estados Unidos para o desenvolvimento ampliado das tecnologias de inteligência artificial, mas adotando modelos distintos.

Xi Jinping também disse que os chineses pretendem criar uma plataforma em nuvem de ecossistema digital do Brics e oferecer intercâmbio tecnológico e alinhamento industrial para viabilizar uma economia digital mais robusta dentro do bloco.

O líder chinês ressaltou que o sucesso de um Brics ampliado depende do estabelecimento de uma base sólida para uma cooperação pragmática e que os países devem cooperar ainda mais, mantendo a estabilidade das cadeias industriais e de suprimentos.

Ele também propôs uma parceria para Zonas Econômicas Especiais entre as nações do grupo.

O discurso do presidente da China foi uma indicação clara de que as discussões sobre tecnologia devem dominar a Presidência do país no Brics em 2027.

Quase todo o seu discurso foi baseado em ideais de desenvolvimento tecnológico, inclusive com a ideia de incentivar e facilitar, utilizando ferramentas digitais, o comércio intrabloco.

Os outros líderes dos países do Brics e os parceiros também abordaram assuntos relacionados à tecnologia.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, anfitrião da cúpula, criticou nações que tentam transformar tecnologia e minerais críticos em armas comerciais e diplomáticas, o que poderia, segundo ele, acabar com o progresso e prosperidade dos países.

Modi não se referiu a nenhum país pelo nome, mas os Estados Unidos e a China estão envolvidos diretamente numa disputa por acesso a minerais críticos que são essenciais para muitas tecnologias de ponta.

A China tem praticamente o monopólio do desenvolvimento desse tipo de mineral, e Pequim e Washington já tomaram várias medidas para limitar a transferência de tecnologia de um país para o outro.

A preocupação de Modi é que esse tipo de disputa acabe impedindo também que outros países tenham mais acesso a tecnologia de ponta.

O presidente russo, Vladimir Putin, outro dos líderes mais importantes presentes ao encontro, reforçou um dos pontos principais para o Brics, a mudança na governança global.

O russo disse que os países do bloco precisam encontrar formas de combinar as vantagens competitivas de suas economias individuais.

Ele defendeu uma reforma na governança do mundo e pediu mais integração dentro do Brics. Essa postura reflete também as pressões sobre o Kremlin, submetido a muitas sanções das economias ocidentais.

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