Após a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o presidente da Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Fux, cancelou a sessão de julgamento prevista para às 14h desta terça-feira (8).
A sessão estava marcada desde o início deste mês e tinha somente um recurso especial na pauta.
O afastamento de Andrei não seria analisado na sessão. O referendo da decisão de Mendonça foi marcado para uma sessão virtual, modelo no qual os ministros apenas registram os votos na página eletrônica do processo.
Nesse julgamento, em menos de dez minutos, já havia maioria para manter a decisão de afastamento do diretor da PF. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques acompanharam o entendimento de Mendonça na íntegra.
O ministro Gilmar Mendes, voz dissidente e aliada de Alexandre de Moraes na Turma, pediu vista (mais tempo para análise) e interrompeu o julgamento, atrasando a proclamação do resultado.
Mesmo sem a confirmação oficial do colegiado, como a decisão de Mendonça é uma liminar, Andrei já seguirá afastado.
Mendonça determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do delegado Leandro Almada, que atuava como diretor de Inteligência Policial da PF.
A decisão ocorre após o ministro Alexandre de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.
Segundo Mendonça, os relatórios revelam um “monitoramento sistemático e ilegal”, realizado por mais de 30 dias, sobre sua atuação e a de outras autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias.
A decisão aponta ainda que os relatórios teriam exposto a Moraes e a terceiros detalhes de processos que tramitavam sob segredo de justiça.