Como identificar a depressão pós-parto, com Dr. Kalil e especialistas

Baby blues e depressão pós-parto são condições distintas que afetam mulheres após o nascimento de um filho. No CNN Sinais Vitais com Dr. Kalil, Rosiane Mattar, professora titular da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), e Karina Belickas, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, explicaram as diferenças entre os dois quadros e alertaram para a necessidade de atenção e apoio durante o período pós-natal.

O que é o baby blues?

O baby blues é uma condição bastante comum, que atinge mais de 50% das mulheres, especialmente naquelas que estão vivendo a primeira gravidez. Segundo Rosiane, trata-se de um estado de melancolia em que, apesar de tudo aparentemente estar bem, a mulher se torna mais chorosa, sente tristeza e tem medo de que algo dê errado. “É aquela situação que está tudo bem, porém a pessoa fica mais chorosa, tem uma tristeza, uma melancolia, um medo de que algo dê errado”, explicou.

O quadro costuma ocorrer na segunda semana após o parto e, em geral, não exige tratamento medicamentoso. De acordo com Rosiane Mattar, o manejo é mais simples: sair de casa e contar com o apoio da rede familiar e social já são medidas suficientes para auxiliar na recuperação.

Depressão pós-parto: um quadro mais grave

Já a depressão pós-parto é uma condição menos frequente, porém significativamente mais grave. Rosiane Mattar descreveu que, nesse caso, a mulher se sente incapaz de cuidar do filho, não consegue sair da cama e perde o interesse por atividades básicas, como tomar banho. “Aqui você realmente precisa de medicação e precisa do apoio de um psiquiatra junto para a medicação, além do apoio social e do próprio médico”, afirmou.

Para auxiliar no diagnóstico, existem questionários específicos, como o Questionário de Edimburgo, que ajudam os profissionais de saúde a avaliar o risco de depressão pós-parto. Rosiane Mattar destacou ainda a importância de orientar a família sobre os sinais de alerta, para que possam buscar ajuda médica quando necessário.

Amamentação: um desafio que exige suporte

Karina Belickas abordou outro tema central do período pós-parto: a amamentação. Segundo ela, muitas mulheres se preparam para a gravidez e para o parto, mas acabam deixando a amamentação em segundo plano. “Todo mundo coloca como uma coisa natural e simples. Na prática não é tão natural assim”, afirmou.

Karina Belickas explicou que a amamentação depende de uma conexão precisa entre a boca do bebê e o mamilo, o que pode variar de uma gestação para outra. Por isso, mesmo mães que já amamentaram anteriormente podem enfrentar dificuldades. A especialista ressaltou que o suporte de profissionais, como enfermeiras especializadas em amamentação, e o apoio de familiares que passaram por experiências semelhantes são fundamentais. “Reconhecer quando você tem dificuldade e pedir ajuda é o principal recado que a gente pode dar para as gestantes”, concluiu.

Quanto ao tempo ideal de amamentação, Karina Belickas indicou que o aleitamento materno exclusivo deve ocorrer nos primeiros seis meses de vida do bebê. A partir daí, como complementação da alimentação, o aleitamento pode se estender até os dois anos, trazendo benefícios tanto para a mãe quanto para a criança.

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