Onda de 10 lados em Saturno: estrutura surgiu recentemente e pode mudar geometria do planeta

Cientistas descobriram uma nova formação geométrica na região do polo sul de Saturno. Uma onda de dez lados que começou a ser identificada em 2023 ganhou maior definição em 2026 e foi registrada oficialmente pelo telescópio Hubble.

“Essas características do movimento do decágono indicam a existência de um comportamento dinâmico complexo, nunca observado no hexágono”, apontam os responsáveis por analisar a forma.

O estudo, liderado por Agustín Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, na Espanha, foi publicado na revista Science Advances. Além dele, participam das análises alguns cientistas da Nasa, da Universidade da Califórnia em Berkeley, da Universidade de Leicester e de outras instituições.

A hipótese é que essa forma tenha surgido graças a uma corrente de ventos que existe no enorme planeta gasoso. Essas ondas que formam o decágono avançam de forma lenta e fazem um movimento de ida e volta a cada cerca de 32 dias.

Em relação à velocidade, a forma geométrica avança 2,5 metros por segundo, ou aproximadamente 9 km/h. Enquanto isso, a principal corrente de ar da região chega a cerca de 116 metros por segundo, a mais de 400 km/h.

Os pesquisadores acreditam que a onda fica presa nessa faixa de circulação atmosférica, mas não chega a ser transportada pelo vento.

Por enquanto, não há uma nenhuma definição sobre a origem dessa formação geométrica em Saturno.

Hexágono mais antigo

Próximo ao polo norte, uma outra onda de seis lados persiste há cerca de 44 anos na atmosfera do planeta. A primeira vez que o hexágono foi observado foi por meio das sondas Voyager em 1980 e 1981.

Ao contrário da formação mais recente, essas ondas mais antigas estão estáveis e apresentam menos alterações em comparação ao decágono.

“Este descobrimento de uma estrutura decagonal no polo sul demonstra que não há uma diferença fundamental entre os dois polos, mas apenas quantitativa”, aponta Miguel Ángel López Valverde, pesquisador do CSIC no Instituto de Astrofísica da Andaluzia, em afirmação ao Science Media Centre España.

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