O cenário eleitoral para 2026 apresenta tendência negativa para o presidente Lula (PT) em uma série de indicadores, segundo análise de Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, em entrevista ao Hora H. Com base nos levantamentos realizados nos últimos meses, os dados apontam recuo consistente em aprovação e intenção de voto.
Russo destacou que, embora a oscilação entre a última e a atual pesquisa seja de apenas um ponto percentual, a análise do conjunto de levantamentos revela uma trajetória clara. “A gente vê sim o presidente Lula recuando em uma série de indicadores”, afirmou.
Segundo ele, há tendência negativa tanto na aprovação quanto na intenção de voto no segundo turno, além de uma queda de dois pontos no primeiro turno.
Aprovação em queda
Os dados de aprovação divulgados na pesquisa mostram que a desaprovação se manteve estável em 48% nas três últimas medições — em 5 de agosto, no levantamento anterior e no atual. Já a aprovação registrou queda progressiva: saiu de 47% em agosto, foi para 46% na pesquisa seguinte e chegou a 45% na mais recente. “O quadro fica cada vez mais negativo para o presidente hoje”, avaliou Russo.
O diretor da Quaest explicou que o movimento reflete o comportamento do eleitor independente, que em junho e julho demonstrava maior otimismo com o governo. “As últimas semanas saíram muito mais notícias negativas do que positivas para o governo”, disse, citando o inquérito do Lulinha, o número de empresas fechando e discussões sobre a economia. Para Russo, Lula precisará agir cada vez mais como candidato e menos como governante neste momento da disputa.
Ascensão de Augusto Cury
A pesquisa também confirmou a expressiva subida de Augusto Cury (Avante) nas intenções de voto, que saltou de 2% para 10% em apenas duas semanas. Russo classificou o movimento como “muito forte” e o associou a um fenômeno que já se desenhava no eleitorado: a busca por uma terceira via, por eleitores que não querem nem Lula nem Flávio Bolsonaro (PL).
“Existe parte do eleitorado que não quer nem Lula, nem Flávio Bolsonaro. Esse eleitorado está em busca de uma opção há algum tempo”, explicou.
Segundo o analista, a exposição de Cury durante o período eleitoral — por meio de debates, entrevistas e cobertura da imprensa — contribuiu para que ele se tornasse mais conhecido, atraindo especialmente eleitores de centro que buscavam um candidato mais independente.
“É justamente esse eleitor que a gente chama de independente, mais de centro, que começou a olhar para o Augusto Cury”, disse Russo.
Desafio para o segundo turno
Apesar do crescimento de Cury, Russo avaliou que Lula e Flávio Bolsonaro continuam sendo os favoritos a disputar o segundo turno. Contudo, o analista apontou que o desafio de Cury será roubar votos dos dois líderes simultaneamente.
“O Augusto Cury, de certa forma é mais de centro, ele compartilha algumas coisas com o Lula e compartilha algumas coisas com o Flávio”, explicou, diferenciando-o de candidatos de direita como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que teriam menor capacidade de atrair eleitores do campo oposto.
Russo também destacou um dado relevante sobre o eleitorado indeciso: a pesquisa espontânea mostrou queda de 51% para 42% de indecisos em apenas dez dias. Para o analista, isso indica que o momento eleitoral está se aquecendo e que cada notícia — seja sobre economia, segurança ou corrupção — tende a influenciar a decisão do eleitor. “O inquérito do Lulinha é uma pedra no sapato do presidente. O inquérito do Dark Horse é uma grande pedra no sapato do Flávio Bolsonaro”, concluiu.