33% das empresas do agro tiveram aumento de receita atribuído ao uso de IA

Um terço das empresas do agronegócio brasileiro relataram aumento de receita após a adoção de Inteligência Artificial (IA), e necessidade de novos funcionários deve ser menor nos próximos anos, segundo recorte setorial da 29ª Global CEO Survey, conduzida pela PwC com mais de 4,4 mil líderes empresariais em 95 países.

Conforme a PwC, a inovação se consolidou como elemento central na estratégia de negócios do agronegócio brasileiro. Isso porque 63% dos CEOs do setor consideram a inovação essencial para suas empresas, percentual acima da média global, de 50%, e da média brasileira considerando todos os setores, em 56%. 

A adoção da IA, segundo 33% dos ouvidos, promoveu redução de custos associada a ganhos de eficiência e automação, enquanto 48% afirmaram que não houve alteração significativa. A redução de custos, segundo a PwC, está ligada à eficiência da gestão, decisões informadas com a tecnologia e mudanças de processos.

O levantamento, no entanto, indica que 60% dos CEOs preveem menor necessidade de profissionais em início de carreira nos próximos três anos, ao passo que o impacto em cargos de nível médio e sênior tende a ser menor.

“Óbvio que a inteligência artificial  tem um efeito colateral, que a pesquisa buscou analisar a partir da pergunta do que impacta nos níveis de empregos nos próximos anos. E muito em linha com o resultado obtido para os demais respondentes no Brasil, o agro mostrou uma preocupação com a redução do nível de empregos, muito associadas às categorias menos experientes”, disse Mayra Theis, sócia e líder do setor de Agronegócio da PwC Brasil, em coletiva.

Estratégia

O agronegócio brasileiro também demonstra uma estratégia de expansão e colaboração. 51% das empresas passaram a competir em novos mercados, e 38% dos executivos trabalham com parceiros externos, como fornecedores, startups e universidades, para acelerar a inovação, acima da média global de 33%.

Apesar do foco na inovação, a gestão do tempo dos CEOs do agronegócio ainda se concentra em ações de curto prazo. 54% da agenda é dedicada a temas de até um ano, acima da média global do setor, de 47%, enquanto apenas 15% do tempo é reservado a planejamento de longo prazo (de cinco anos ou mais). Para a PwC, parte do foco elevado nos próximos 12 meses se deve às dificuldades de captação de capital de giro em meio à juros elevados e margens mais achatadas.

“Liderar nesse contexto exige capacidade de alternar rapidamente entre agendas e horizontes de tempo. Resta avaliar se essa alocação de tempo atual é a mais adequada para sustentar o desempenho e a competitividade no curto e no longo prazos”, disse Theis.

Setor menos otimista

O estudo aponta ainda um recuo no otimismo entre os líderes do setor, considerado moderado e “mais cauteloso”. Para os próximos 12 meses, 50% esperam aceleração do crescimento global, queda em relação aos 66% do ano anterior. 

“Um aspecto negativo do relatório foi a questão do otimismo quanto ao crescimento da economia global e no Brasil. Apesar do índice ser bastante razoável, quando a gente compara os resultados com o ano passado, que teve um pico de respostas positivas, esse índice traz uma carga de pessimismo para este próximo ano”, disse Theis. 

No plano nacional, 58% projetam crescimento da economia brasileira, ante 76% na pesquisa anterior, e a confiança no aumento da receita nas próprias empresas diminuiu de 48% para 38%.

No médio prazo (próximos três anos) a expectativa de aumento da receita do agro caiu de 66% no ano passado para 55%. Segundo a PwC, o dado aponta uma tendência do próximo ciclo, com preços mais ajustados e uma equação de custos e eficiência mais desafiadora.

Riscos e desafios

Entre os riscos percebidos, 35% dos CEOs apontam a inflação como a maior preocupação. Em seguida estão as mudanças climáticas, com 33%, bastante superior à média nacional, de 18%, e global, em 23%. 

O tópico das mudanças climáticas também é o mais abordado entre os stakeholders do agro, mas bastante abaixo à média brasileira e global, podendo indicar uma transparência já existente do setor, segundo Theis. 

A instabilidade macroeconômica aparece com 33%, inferior à média brasileira de 38%, mas maior que os 31% globais.

Em comparação, ameaças cibernéticas e tecnológicas têm menor peso atualmente, embora especialistas observem tendência de crescimento dessas preocupações com a maior digitalização do setor.

“Hoje, observamos que os riscos no setor ainda são menos complexos, mas com a conectividade das máquinas e a maior complexidade na automatização dos processos, observamos que existe uma tendência cada vez maior de vermos a preocupação com o risco cibernético e com as ameaças tecnológicas crescerem em um horizonte de médio a longo prazo”, acrescenta Theis.

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