2026 será ano desafiador para gestão da água no Brasil, diz diretora da ANA

O Brasil tem enfrentado um ano desafiador na gestão de recursos hídricos em 2026, diante do cenário de chuvas abaixo da média e da necessidade de garantir os usos múltiplos da água nos rios e reservatórios. A avaliação é da diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Larissa Rêgo, em entrevista exclusiva à CNN.

Segundo a diretora, o acompanhamento dos principais rios e reservatórios vem sendo intensificado desde o fim de 2025, quando o país passou a registrar níveis de precipitação menores que o previsto.

“A ANA foi criada em 2000 para implementar e coordenar a gestão integrada dos recursos hídricos e regular o acesso à água. Em 2010, recebeu a missão de coordenar o sistema de segurança de barragens e, em 2020, foi agregada atribuição de harmonizar a regulação dos serviços de saneamento básico”, afirmou durante evento promovido pelo Iris (Instituto de Regulação, Inovação e Sustentabilidade).

De acordo com a diretora, o cenário atual difere dos últimos três anos. Em 2024, por exemplo, os reservatórios se beneficiaram do bom período registrado em 2023, o que garantiu níveis mais confortáveis de armazenamento.

A situação começou a exigir maior atenção a partir de outubro de 2025. A agência reforçou o acompanhamento dos níveis dos reservatórios estratégicos, com foco especial nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

“Desde outubro de 2025 ampliamos o acompanhando diário dos níveis dos reservatórios, principalmente aqui no estado de São Paulo, em Minas e no Rio de Janeiro, onde a gente entende que há uma maior sensibilidade no momento”, disse.

A preocupação está relacionada à necessidade de conciliar diferentes usos da água. Os reservatórios brasileiros atendem não apenas à geração de energia, mas também ao abastecimento urbano, à agricultura, ao turismo e à dessedentação de animais, entre outros.

Para evitar situações de escassez ou racionamento, como ocorreu em 2021, a pior crise hidroenergética em 91 anos, a ANA mantém “salas de situação” que acompanham em tempo real os níveis dos reservatórios e orientam decisões de curto e médio prazo.

A diretora afirmou que o período chuvoso deste início de ano ajudou a elevar um pouco os níveis de armazenamento. No Sistema Cantareira, responsável por abastecer parte da região metropolitana de São Paulo, os reservatórios estão atualmente pouco acima de 30% da capacidade.

O sistema é responsável por abastecer mais de 6 milhões de pessoas na capital paulista e em municípios vizinhos. Segundo Larissa, a ANA passa a atuar diretamente na gestão desses reservatórios quando os níveis ficam abaixo de 20%.

“O percentual de armazenamento nos reservatórios do Sistema Cantareira chegou a 20,18% em 2025. Nessas condições, o volume que pode ser captado para abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo é 30% inferior ao permitido em situações de normalidade. Com essas chuvas registradas agora em fevereiro, os estoques armazenados superaram 30%, possibilitando que, neste mês de março, a restrição da captação fosse diminuída para 20%.”

Segurança de barragens
Além da gestão da água, a ANA também acompanha a segurança de barragens no país. Segundo a diretora, existem mais de 30 mil barragens cadastradas pelo Brasil, e cerca de 250 demandam fiscalização prioritária.

“O papel da ANA também é coordenar a fiscalização de barragens. Hoje nós temos mais de 30 mil barragens cadastradas em todo o Brasil. Dessas, aproximadamente 240 barragens precisam ser prioritariamente fiscalizadas, conforme dados do Relatório de Segurança de Barragens 2024/2025”, afirmou.

Para Larissa Rêgo, a tendência é que os desafios na gestão da água se intensifiquem nos próximos anos, em razão das mudanças no regime climático. “É um ano desafiador para o Brasil. Um ano desafiador na gestão de recursos hídricos”, disse. “Daqui para frente, vamos necessitar de mais resiliência, planejamento e ações coordenadas para enfrentar chuvas intensas e secas cada vez mais severas.”

Nordeste em atenção
Segundo ela, o Nordeste também exige atenção redobrada, uma vez que a região historicamente convive com longos períodos de estiagem, em especial no semiárido.

“A Agência tem acompanhado de perto o cenário em todas as regiões do Brasil. No Nordeste mais ainda, nessa importante região temos quatro meses de chuva e oito meses de extrema seca”, afirmou.

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